segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Cinquenta tons de sorofobia: quando o assunto é relacionamento abusivo com soropositivos. De Fernando Impagliazzo



Neste dia primeiro de dezembro, ofereço a vocês uma mensagem, em tom de desabafo. Um apelo por uma ponte entre nós.
O mundo está mudado.
Termos como “prep”, “pep”, “indetectável”, “ist”, “casais sorodiferentes” estão cada vez mais em voga. A sexualidade tem sido cada vez mais experimentada, sem medo, no bareback.
O mundo está mudado, mas continua o mesmo. Parece que nós só ouvimos estes termos, sem entendê-los.
Outro termo importante é a sorofobia, que é todo e qualquer preconceito atribuído a pessoas soropositivas, seja intencionalmente ou não. Debater a sorofobia é como secar o gelo da camada polar do planeta, dia após dia. Infelizmente, a nossa escuta não está acompanhando essa explosão de terminologias. Não há uma reflexão mais empenhada, mais aprofundada do que seja exatamente ser sorofóbico.
Neste breve artigo, darei as nuances do que a sorofobia me faz experimentar em termos da minha própria experiência pessoal. A sorofobia é coisa nossa e não só me atinge como atinge uma parcela considerável da população. O hiv é tema nosso. Quando um homossexual é impedido de doar sangue, isto ocorre por conta da sorofobia. Quando uma mulher, preferencialmente as mulheres negras, é desassistida pelo SUS, isso ocorre por conta da sorofobia. Quando as pessoas a sua volta ficam escadalizadas com a vida sexual da mulher ao seu lado e comentam que “fulana é promíscua ou transa com vários”, isso tem relação íntima, não só com a machismo, mas também com a sorofobia. A sorofobia é prima-irmã da homofobia, do machismo, da hipervalorização do macho irretocável e inconseqüente.
1. Sorofobia mais latente: uso de expressões como aidético, soropositivo com o intuito de ofender pessoas, propositalmente.
Nos anos oitenta, os gays usavam o termo “fulano é doce”. Nada mudou muito, exceto pela instrumentação que hoje temos em usar termos mais explícitos para ofender. Ainda hoje se fala na surdina sobre o amigo soropositivo do lado. Estes termos são usados para ofender, justamente porque incluem uma carga de ofensa associada à vida sexual da pessoa, a quantidade de parceiros, ao prazer sexual. O fato piora quando se trata de uma mulher ou um homossexual passivo. A liberação dos corpos parece incomodar os mais puristas. Já ouvi, entre os amigos gays e grupos tóxicos da internet, falas como “aquele passivo é desesperado demais”, “fulano deve estar cheio de dst (sic)”, como analogia para “aquela mulher é saidinha demais” ou “ela transa com muitos caras”. O sexo, deixando de ser algo saudável, se torna discurso moralista. Neste caso, a sorofobia encontra o machismo e não há como agradecer ao fato de ser soropositivo, por estar cada dia mais consciente da necessidade do feminismo e do autocuidado. Temos cada vez mais instrumentos de oprimir estando em grupos que deveriam se ajudar.
Um caso recente que revela esse apelo à espetacularização da vida sexual alheia é o que aconteceu com o deputado federal Alexandre Frota. Não insiro aqui qualquer comentário de apoio ao deputado ou ao governo bolsonarista. Meu foco é, estritamente, o que os apoiadores de Bolsonaro, tendo visto o presidente ser alvejado em críticas pelo deputado, falaram. Há uma chuva de comentários em que o deputado é chamado, gratuitamente, de soropositivo. Provavelmente pelo seu passado como ator pornô. Isso é, além de um caso claro de moralismo da direita brasileira, um caso de sorofobia séria.
2. A sorofobia velada do indivíduo que faz uma anamnese aceita, e criminaliza o parceiro.
Quantas vezes não me senti violado, ao marcar encontros em aplicativos de relacionamento e perceber que aquele “date” tinha se transformado em um anamnese comigo? O que era pra ser um encontro com alguém legal, se tornava um encontro com o vírus. A espetacularização do hiv é mais importante que qualquer empatia.

Além disso, também há as falas de “devíamos nos cuidar mais”, “por que você não usou camisinha?”, “você se cuida?”, como se todo e qualquer cuidado tivesse que ser encerrado em uma das pessoas. Apenas ratificando: soropositivos disciplinados tem uma rotina de autocuidado muito mais rígida que soronegativos que dizem que cuidam de si. A responsabilidade é de ambas as partes e, pressionar seu parceiro para que ele se cuide, parece ser mais um caso de sorofobia velada que de preocupação sincera.

Sabemos que, se não intencionalmente, transmitir o vírus não é crime e está previsto em lei que assim o seja:
“Art. 131. Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio: Pena — reclusão, de um a quatro anos, e multa.”
Além disso, é necessário oferecer assistência a pessoas que transmitam o vírus intencionalmente, pois, se elas são um perigo para uma sociedade eufórica, muito mais são para elas mesmas. Certamente, boa parte destas pessoas não aprenderam a conviver com o próprio vírus e estão sofrendo em processos psíquicos mais complexos do que simplesmente o “mal caratismo”.
Também, não é redundante lembrar que, se a sorofobia incomoda na prática, também é crime pela LEI Nº 12.984, DE 2 DE JUNHO DE 2014,
Art. 1º Constitui crime punível com reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, as seguintes condutas discriminatórias contra o portador do HIV e o doente de aids, em razão da sua condição de portador ou de doente:

I — recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado;
II — negar emprego ou trabalho;
III — exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego;
IV — segregar no ambiente de trabalho ou escolar;
V — divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade;
VI — recusar ou retardar atendimento de saúde.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 2 de junho de 2014; 193º da Independência e 126º da República.
Ainda, por esse prisma, a recente propaganda do Ministério da Saúde sobre as ists é extremamente mais preocupante. A propaganda revela, não só o estigma das ists, como um estigma com o corpo alheio e, convenhamos, quem nunca pegou uma gripe sequer? O corpo de pessoas com xxxx, xxxx, xxxx, também merece ser respeitado. Não é possível que a mesma geração que quer ser body positive, ser inclusiva com tantos outros corpos — gordos, negros, magros, trans — continua a ser excludente com corpos considerados ameaça. Já vi muitos discursos sorofóbicos vindo de pessoas consideradas militantes de outras causas.
No dia que as ists forem vistas como doenças de compartilhamento mútuo, de cuidado inclusivo e não excludente ao corpo dos “portadores” destas doenças, estaremos caminhando para uma medicina e uma política pública de aids e ists melhor.
3. O cara que espera o relacionamento terminar para jogar tudo na sua cara.
Outro caso, menos visibilizado, é quando, em relacionamentos sorodiscordantes, o sujeito soronegativo não só silencia a experiência do soropositivo, como faz parecer que a condição do parceiro é um troféu. Pessoas soronegativas se utilizam da posição de “não tenho preconceito com o HIV” para semear ali todo o tipo de discurso de opressão. Eu mesmo, ao terminar com um ex, ouvi ele gritando ao telefone que “ninguém iria me querer assim”. Assim, pronome indefinido, indicava minha sorologia.
Este é o caso mais grave e menos visibilizado. É como se todo o valor da relação estivesse na aceitação do vírus. Como se alguém que falasse: “veja como eu sou foda e aceito o hiv e entendo a dinâmica disso tudo.”
Errado. Entender o hiv deveria ser mérito pessoal e intransferível. O hiv é um vírus de todos nós. Como Susan Sontag diria em “A doença como metáfora”, toda a relação, em última análise, homossexual. Todos os corpos estão em perpétuo contato.
4. O soronegativo biscoiteiro se preocupa com a auto-imagem.
Outro caso é o do sujeito que faz parecer que a sua auto-imagem como soronegativo sem preconceitos é mais importante que relação. Isso me ocorreu quando relatei, através de um poema, uma sucessão de falas que ouvi por aí e que me doeram até para escrever. Essas falas, definitivamente, não vinham dele, mas no momento que ele associava tudo ao hiv a sua própria imagem de “parceiro de soropositivo”, isso era um caso de sorofobia velada. Parecia que tudo girava em torno da máxima do “eu não tenho preconceito, o que vão achar de mim se você desabafar sobre?”. Isso é de uma injustiça absurda já que, mesmo sabendo de todos os preconceitos, tudo parecia estar associado à sua própria imagem da internet. Ora, se eu me assumi soropositivo publicamente, isso também foi e é extremamente doloroso e envolve um processo de reconhecer a minha estória. Não foi ele quem ouviu todas aquelas frases e saiu de um date pior do que foi. Essa pessoa simplesmente não consegue sequer sair da sua própria vontade de parecer “o cara legal”. Apesar do tanto que conseguiram descontruir os tabus, é preciso mais empatia por parte destes soronegativos. Pois eles simplesmente ignoram que o hiv não é necessariamente um problema só deles, mas de todos nós, soropositivos ou não. Desconstruir o vírus juntos seria mais honesto.
5. O soronegativo que, usando prep, acha que é da sua responsabilidade se eximir de qualquer cuidado.
Quantas vezes não ouvi, no primeiro encontro: “mas se uso prep, porque não podemos fazer sem camisinha?”, “você não transmite, pô, podemos fazer sem camisinha?”; “estou usando prep e me cuidando pra não pegar”;
Minha vontade é dizer em alto e bom som: “não, porque eu me cuido, porque eu sei o que é ter uma doença crônica e ter que tomar remédios para a vida toda por não ter usado camisinha”.
Apesar de nós sabermos muito bem que o prep também auxilia à redução propagação de tantas outras ists, isso não redime o fato de que deveríamos, nesse contexto que temos ainda mais tecnologia, nos cuidar ainda mais. O prep é um dos mecanismos de cuidado. Quer transar sem camisinha? Isso é responsabilidade sua. Mas do quanto a confiança no corpo do outro pode ser abalada quando recebemos a notícia de que estamos soropositivos. Esta é uma consciência, uma urgência que o soronegativo precisa aprender.
6. O perigo da expressão “grupo de risco”.
Como sabemos, o vírus hiv opera por uma cadeia de relações sem sequer se ater a um indivíduo. Não vê branco, negro, índio, judeu, ateu, queer, smooth, homem cis ou trans, mulher cis ou trans, etc. Nesse contexto, não há um grupo de risco ou uma relação individual que seja exposta. Nós somos, TODOS igualmente expostos. O comportamento do vírus é como o ciclo ininterrupto de relação a que o poeta Walt Whitman faz referência em um dos seus poemas mais famosos:

I sing the body electric,
The armies of those I love engirth me and I engirth them,
They will not let me off till I go with them, respond to them,
And discorrupt them, and charge them full with the charge of the soul.
O corpo, portanto é potência e, justamente por causa disso, nos faz pensar no tanto que o sexo é bom, mas também envolve um autocuidado permanente. Não interessa o tanto que você não conhece alguém antes de fazer sexo. No momento em que você se envolve com esta pessoa, vocês já estão em uma relação. E uma relação muito mais poderosa que memória, afeto, carinho. É um relação íntima, de corpo a corpo. Como dizia Manuel Bandeira: “deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.”.
Aqui, Bandeira não fala só não fala de uma geração pós-epidemia, como não fala de uma geração para qual o bareback virou uma prática de libertação dos corpos, muito por conta da prep.
Hoje o bareback, assim como o prep, é o novo trending topic do Twitter. Ela sempre existiu. Praticar bareback é responsabilidade de cada um e não um brinquedo novo que soronegativos que pegam na estante. O bareback tem uma estória, mais antiga que o prep e ainda mais funda que atual “ditadura da camisinha”. Todo o uso ostensivo de termos como “use camisinha” nas propagandas não quer senão apontar para a responsabilidade de cada um. Pelo contrário, aponta uma necessidade.
Incitar cidadãos a usar camisinha num imperativo de propaganda é extremamente patriarcal, mas JAMAIS aprisionou nossos corpos ou impediu pessoas de exercerem sua liberdade corporal. A quantidade de gente exercendo o bareback está aí pra mostrar. Não houve nunca ditadura em relação a isto.
Este tema do bareback, ainda tem um contexto extremamente machista, como Javier Saéz e Sejo Carrascosa comentam em “Pelo cu: política anais”
“Dentro de um regime heterocentrado e machista como o que vivemos, a masculinidade segue vinculada a valores como o risco, a força, a violência, a morte e o perigo. Todos os homens, incluindo os gays, são educados com estes valores: pelos padres, pelos meios de comunicação, pelos jogos, pelo cinema e pela televisão. Em alguns fóruns de bareback na internet encontramos esse tipo de expressões: ‘se é um homem de verdade, você faz sexo autêntico, sexo cru’, vinculadas ao sexo sem preservativo.”
Sigo falando a uma população masculina que, não só não cuida de seu corpo, como age como um adolescente diante de um brinquedo novo ao exercitar sua sexualidade. Sexo é bom? É. Nossos corpos tem mais liberdade. Nossas vidas, menos pudores. Não, isso não deveria ser uma Canção do Exílio. O que eu mais observo é um exílio de responsabilidade em relação ao próprio corpo. E esse exílio, apesar de eu falar com especial preocupação na população gay, não escolhe “grupos de risco”, uma vez que todos nós, temos nos isentado e esquecido nossa estória com o vírus.
O que precisamos é, de fato, de um idílio de afeto, de carinho, de relações de confiança. Se o corpo confia é porque há algo anterior que nos faz confiar. Por isso, e digo isso sem qualquer tom moralizante, há tantos sujeitos hoje que desejam nada mais do que seja outro corpo pra transar. Isso é libertador, mas também aprisiona. E nos aprisiona numa liberdade relativa, visto a quantidade de pessoas que vejo por aí aprisionadas tão aprisionadas no vício do sexo, no vício do álcool, das drogas, dos relacionamentos sucessivos. Se Allen Ginsberg, na década de sessenta, viu “as melhores cabeças da minha geração destruídas pela loucura, famintos histéricos nus”.
Expus aqui um pouco da minha experiência para que cada de vocês, soropositivos ou não, possam repensar que a sua própria liberdade política, ética e sexual precisam andar lado a lado.
Digo tudo isto para apontar um caminho possível. O caminho do hiv é também o caminho da empatia, do auto-cuidado, da consciência do nosso machismo diário e não mera massagem de ego em quem aceitou o soropositivo. O hiv deveria ser certeza de cuidado e não repulsa, nojo, rejeição.
***
Escrevo todos esses cinqüenta tons de homofobia, públicos e privados, porque sou um corpo que sofri e sofro todos estes casos, na televisão, no metrô, nas redes sociais, nos aplicativos e nos meus relacionamentos passados.
Espero se cuidem, se previnam, com consciência e tesão. Pisou na bola? A gente tem tecnologia pra isso. Tem medo do hiv? Chega aí, conta. A geração que está mais tentando mudar o mundo é que a mais faz prevalecer o preconceito. Ainda não somos suficientemente maduros de entender o corpo do outro sem estigmatizá-lo de alguma forma. Façamos como Whitman e respeitemos a dignidade deles. Só assim, nossos corpos poderão, finalmente se entender, sem precisar de exílios.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Living With HIV: What you need to know about HIV-undetectable and viral ...

CDC’s HIV Treatment Works: Tommy’s Story

CDC’s HIV Treatment Works: Jamie’s Story

#AskTheHIVDoc: How long does it take to get to HIV undetectable? (1:13)



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Primeiro de dezembro, Dia Mundial de Luta contra o HIV/AIDS. Testem-se!

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, nos últimos 10 anos, houve um aumento de 21% nos casos de pessoas com HIV/Aids no país.

As políticas públicas do governo atual de Jair Bolsonaro demonstram pouca preocupação com ações de prevenção. Houve precarização no Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), suspensão de kits de prevenção e cortes de canais de comunicação dedicados à divulgação do tema.

New app targets youth for World AIDS day

World AIDS Day 2019 – Know your HIV basics

World AIDS Day 2019: Dignity

GET TESTED. TREAT EARLY. STAY SAFE. END OF AIDS

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Dia Mundial de Luta contra a Aids

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Duas teses sobre a questão racial no Brasil. De blog da Editora Boitempo

Por Jones Manoel.


O debate marxista sobre opressões, e a questão racial em particular, precisa avançar muito para construirmos, para ontem, um antirracismo revolucionário. Estas duas teses, agora sistematizadas em forma de texto, são o desenvolvimento de uma reflexão esboçada em vídeo, intitulada “Identidade, identitarismo e a crítica marxista das opressões“.

Tese I – Identidade e identitarismo

Identidade existe. A direita, expressão política da classe dominante, tende a reivindicar uma suposta política “não ideológica”. A política “não ideológica” dos representantes do capital é a naturalização da ideologia dominante e das suas práticas materiais correlatas, que passam a ser legitimadas como algo normal, a-histórico, parte do caráter humano. A crítica correta nesse caso é, em primeiro lugar, mostrar que não existe um lugar não-ideológico. Toda prática política, mesmo a que se apresenta como mais “pragmática”, é constituída por uma ética, uma moral, uma visão de mundo e alguma perspectiva teórica.
Assim como não existe um lugar não-ideológico e não-político (como se existisse uma técnica “pura”, “neutra”, absolutamente separada da política), também inexiste um lugar de não-identidade. Todos os seres humanos formam relações sociais, estruturas objetivas que balizam os padrões de reconhecimento intersubjetivo: as práticas sociais, as formas de perceber-se e relacionar-se com o mundo. Eu mesmo, ao nascer, ainda na maternidade, não sabia que era negro. O recém-nascido Jones não fazia ideia de que existia uma divisão social do mundo baseada na racialização dos indivíduos e dos grupos humanos. A despeito disso, porém, a cor da minha pele ao sair do ventre da minha mãe já me constituía enquanto sujeito diante dos outros, já me situava nas hierarquias sociais e culturais construídas historicamente.
Caso fosse abandonado, minhas chances de adoção seriam menores do que as chances de uma criança branca. A possibilidade de descaso médico também cresce por ter a pele escura. Ainda na maternidade, era conhecido como “o índio”, por causa da minha pele negra (mas nem tanto) e meu cabelo liso. Antes mesmo de ser capaz compreender um simples “a” do mundo, já era racializado pelos olhares da sociedade à minha volta. A cor da pele constitui um padrão de identidade, que se soma a outros, como o gênero, por exemplo.
A cor da roupa, as formas de brincar, os apelidos, os tipos de presente, a forma de sentar, o carinho de pessoas próximas – tudo isso já é definido, antes do sujeito ter consciência, a partir de uma rede complexa de múltiplos determinantes que constituem as identidades como estruturas objetivas de organização do ser social. Claro, assim como no caso da ideologia, há quem acredite estar situado em um lugar de não-identidade. Quem pensa isso? Aqueles inseridos nos padrões de identidade socialmente dominantes: o “universal”, o “natural”, aqueles padrões que, na verdade, são construído historicamente como “norma”, como critério de “normalidade”.
Ser homem branco, hétero e sulista é ser “universal”, a regra, o padrão, o marco para considerar os casos desviantes. Uma das principais características da ideologia burguesa é apresentar um interesse particular como se fosse o universal, constituindo-se como uma universalidade falsa, agressiva e colonizante. Tal “universalidade” se constitui enquanto mistificação negadora do Outro, que estabelece os desviantes enquanto não-ser em situação de nadificação. A partir da naturalização desses padrões, que constroem a nossa incapacidade de olharmos em nosso entorno e compreender os determinantes sociais que nos constituem enquanto sujeito, alguns marxistas criticam o “identitarismo” como se as identidades fossem uma pura invenção conceitual pós-moderna ou um malabarismo retórico carente de consistência teórica e não um dado concreto da realidade social, cultural e histórica concreta.
Para deixar sua consciência tranquila, afirmam o seguinte: “o preconceito é algo horrível, o negro e o branco devem ter iguais direitos”. Partem do pressuposto de que “negro” e “branco”, em vez de categorias histórico-sociais, seriam categorias biológicas, dados naturais do ser do humano enquanto espécie. A partir de certos pressupostos, ainda que inconscientes e muitas vezes não manifestos, falam de igualdade… mas como ser igual em um sistema de significados e relações sociais que se estrutura ontologicamente com base na desigualdade?
Deixe-me explicar. O racismo não é apenas um sistema social ou uma ideologia que inferioriza o negro e o coloca em posição inferior ao branco. Essa compreensão, embora de corte democrático, é equivocada. O racismo é um complexo social, político, ideológico e econômico que constitui o branco como um padrão universal e ideal de tudo de positivo (beleza, força, inteligência, honestidade, civilidade etc.), criando uma gramática social que é imposta e reforçada a partir de uma série de aparelhos ideológicos e práticas materiais que emergem das condições de produção e reprodução da vida baseadas no antagonismo fundamental entre produtores e apropriadores da riqueza. Em suma, o que explica o racismo é a existência do branco como categoria sócio histórica dominante.
Para se ser branco não basta ter a cor de pele identificada como branca. Os irlandeses, um povo que ninguém duvida ter a cor de pele branca, até o começo do século XX eram tratados pela classe dominante inglesa como uma raça inferior, um povo racialmente inferior ao inglês. Da mesma forma, uma pessoa considerada branca no Brasil, nos Estados Unidos, por exemplo, torna-se tendencialmente “latina”. A racialização é um fenômeno relacional, social e histórico. Ou seja, ela não é uma simples expressão objetiva e mensurável da quantidade de melanina na sua pele, sendo, antes, estruturada por uma concretude sócio geográfica.
Então, sim, você, meu querido homem branco hétero e sudestino, possui uma identidade específica. E existe uma política identitária de imposição da “sua” identidade como a gramática social hegemônica e excludente dos padrões desviantes. Na música, cinema, televisão, mercado fonográfico, política oficial de memória (estátuas, feriados, nomes de ruas, museus etc), moda, brinquedos, exposições de artes e em toda expressão cultural que se possa imaginar existe uma constante e insuportável imposição de padrões socialmente valorizados. Isso, inclusive, deveria ser evidente para um militante com algum nível de “treinamento sociológico”.
É muito estranho um marxismo que repete um dos fundamentos do materialismo-histórico (isto é, de que todas relações são históricas) e, ao mesmo tempo, considera sua identidade como um dado da biologia, tomado acriticamente, e que o racismo, enquanto relação social e cultural que determina as identidades dos indivíduos e grupos (veja só!), constitui estruturalmente apenas o negro. Diz Marx na Miséria da Filosofia:
“Os economistas têm uma maneira singular de proceder. Para eles, só existem duas espécies de instituições: as da arte e as da natureza. As instituições feudais são artificiais, as da burguesia são naturais. Nisso, eles se parecem com os teólogos, que também estabelecem dois tipos de religião: toda religião que não é a deles é uma invenção dos homens, ao passo que a deles é uma emanação de Deus. Dizendo que as relações atuais – as relações da produção burguesa – são naturais, os economistas dão a entender que é nessas relações que se cria a riqueza e se desenvolvem as forças produtivas segundo as leis da natureza. Portanto, essas relações são leis naturais independentes da influência do tempo. São leis eternas que devem sempre reger a sociedade. Assim, houve história, mas não há mais.”
Karl Marx, Miséria da filosofia (trad. José Paulo Netto, Boitempo, 2018, p. 110)
Certos marxistas atuam como os economistas burgueses. Veem duas identidades: a natural e as demais, as outras, as das “minorias” identitárias. “Identitário”, é claro, funciona aqui apenas enquanto política do sujeito subjetivado como um não-universal. O sujeito que ao fazer a crítica do chamado identitarismo não pondera, de início, que a identidade é algo real, já parte de uma pressuposição teórica errada. Mas afinal, o que é mesmo identitarismo?
“A exaltação da identidade como algo fixo, absoluto, algo dado, preexistente, e não relativo, é a pura expressão da forma de valorização do capital como fim em si mesmo, que precisa assegurar para alguns indivíduos uma colônia ainda viável de exploração. É esse fenômeno que busca uma identidade estanque, ideal e não relativa, um Eu=Eu, como forma inconsciente da realização de valorização do capital, que chamo de identitarismo.”
Douglas Rodrigues Barros, Lugar de negro, lugar de branco? (Hedra, 2019, p. 156).
Em resumo, toda forma de compreensão não historicizada e relacional, ancorada em um entendimento essencialista das identidades sociais e culturais – qualquer identidade, as de padrão universal ou as desviantes – é uma forma de identitarismo. Essa tese não é nenhuma novidade nem grande descoberta teórica. Para quem é marxista, portanto, tendo por base a reflexão dialética, isso deveria ser óbvio (considerando, é claro, a existência de uma boa formação teórico-política).
Isso significa que estou defendendo um identitarismo negro como resposta a um identitarismo branco? De forma alguma. Como um bom leitor de Frantz Fanon, compreendo que o significante negro é uma criação do poder colonial burguês e que, taticamente, devo positivar o ser negro como forma de luta imediata. Então, nesse primeiro momento da crítica, devo necessariamente negar os pilares da ideologia racista que afirma que o negro é feio, burro, sem história, que demoniza as tradições religiosas de matrizes africanas etc., invertendo sua lógica de sentido, positivando tudo aquilo que havia sido antes negativado, afirmando, por exemplo, que “black is beautiful”.
Contudo, se pararmos por aí, nesse primeiro movimento de positivação, chegamos a um resultado tragicamente parcial e insuficiente, no qual, ao final, o horizonte de superação do racismo estrutural se rebaixa: passa-se, por exemplo, a acreditar (com ingenuidade preocupante ou, até mesmo, certo cinismo) que “propaganda empoderada” em comercial de grandes bancos ou empresas é combate ao racismo.
A positivação necessária e incontornável do ser negro tem caráter tático. O horizonte estratégico é destruir a racialização, destruir os significantes negro e branco criados pelo poder colonial burguês. É gritar que sou negro para, algum dia, conseguir dizer que sou apenas humano. Mas isso sem cair no que hoje funciona enquanto mistificação abstrata: a sempre invocada afirmação de que afinal “somos todos humanos” e que, na atual constituição das relações sociais no mundo, serve a uma construção discursiva ideológica que procura disfarçar o fato de que, na realidade social concreta, a racialização tem plena efetividade enquanto sistema de produção sistemática de desigualdades. Tal afirmação só passa a ter efetividade concreta na realidade social objetiva se houver um processo revolucionário de destruição de todas as formas do capital e das relações sociais e culturais criadas historicamente pela expansão e domínio da modernidade colonial no mundo.

Tese II – O que vem primeiro, raça ou classe? Perguntas erradas e respostas absurdas

Recentemente acompanhei uma discussão muito interessante. Em um espaço de debates, ao ser perguntanda sobre o que era “mais importante no Brasil”, se “raça ou classe”, uma professora respondeu que a classe, depois a raça, e por último o gênero. Meses atrás, um homem negro de classe média, ao entrar em um banco (muito bem vestido pelos padrões burgueses) é atacado por seguranças e policiais. Fatos como esse são, para muitos no movimento negro, a prova que não importa a classe, o determinante é a raça.
Outras boas almas afirmam que a questão racial no Brasil é central, mas não pode ser desligada de uma direção classista. Parece que com essa frase resolveram o problema na constituição de um antirracismo revolucionário. O problema intrínseco a essa lógica, porém, é pressupor que raça e classe são categorias histórico-sociais em si apartadas e que, a posteriori, precisam ser combinadas a nível de ação política.
Sempre que sou perguntando o que é mais importante ou central se “raça ou classe”, minha resposta, invariavelmente, é uma tirada clássica: “para perguntas erradas não existe resposta certa”. Pensemos um pouco. O processo de transporte forçado de pessoas negras de África para o Brasil se deu a partir da ocupação do lugar de força de trabalho escravizada. No Brasil colônia, o negro escravizado era a força de trabalho e o principal meio de produção ao mesmo tempo. Até onde me consta, durante toda a época colonial, não houve a formação de uma significativa elite colonial negra.
Com o fim da escravidão, a proclamação da Primeira República e sua primeira Constituição – os três momentos fundamentais para o início da construção de uma superestrutura jurídico-política burguesa –, a população negra não foi inserida nos nichos mais dinâmicos de desenvolvimento capitalista. Os negros pós-abolição, via de regra, assumiram o papel de superpopulação relativa, ou exército industrial de reserva, força de trabalho atuante na reprodução social (mulheres negras ocupando em massa o trabalho de empregadas domésticas, por exemplo), ou continuaram nas grandes fazendas de monocultura (em geral em formas de trabalho análogas à escravidão), exercendo funções a partir das estratégias alternativas de sobrevivência nos centros urbanos.
Por conta de uma série de determinantes sociais, políticos, geopolíticos, culturais e institucionais, impossíveis de serem tratados com a profundidade necessária nesta pequena coluna, as oportunidades de mobilidade social (como, por exemplo, a ocupação de postos no Estado com o desenvolvimento da máquina pública ou de ocupações de gerência e administração com o crescimento do capitalismo) foram vedadas a essa camada população, criando quase uma barreira de casta à mobilidade social.
Ao final do século XX, era possível constatar que a mobilidade social, já baixíssima no capitalismo dependente, era ainda mais reduzida para população negra. No geral, esse contingente do proletariado – aliás, a maioria do proletariado brasileiro –, continuava no mesmo lugar na divisão social do trabalho, guardadas todas as transformações do país nas últimas décadas. Aqui, em terras brasileiras, nunca tivemos que enfrentar o problema da luta antirracista tal como ela se desenvolveu nos Estados Unidos: a burguesia negra é uma aliada ou não na luta antirracista? Não temos burguesia negra enquanto estrato ou setor significativo da classe dominante interna.
Há, no Brasil, uma quase total identidade histórica entre o ser trabalhador e ser negro. São categorias histórico-sociais diferenciadas, mas unidas na sua diversidade. São dois complexos sociais com legalidades próprias e ao mesmo tempo organicamente fundidos nas suas interconexões. Por isso, é impossível pensar raça e classe no Brasil como categorias a priori autoconstituídas para, em algum momento, na análise ou na ação política, buscar combiná-las.
Retomemos, porém, o fio da nossa argumentação. A partir do século XVI surge concretamente uma história da humanidade, pensada no sentido estrito de um processo progressivo de contatos e de trocas (comerciais, sociais, culturais etc.) entre os diversos povos existentes no mundo, de sua integração, ainda que estruturalmente desigual. Todavia, a modernidade não pode ser pensada corretamente sem o colonialismo. Modernidade e colonialismo são dois pares históricos orgânicos: com a ocupação colonial da América, o comércio de pessoas escravizadas e o aumento do intercâmbio comercial entre Europa e Ásia, o mundo passou a conhecer uma comunidade de destino. Mas essa comunidade de destino foi – e nos seus desdobramentos históricos até hoje determinantes, ainda é – barbárie em estado concentrado. Do século XVI até o século XX temos uma história quase ininterrupta de subjugação de povos não ocidentais pelo colonialismo ocidental e posteriormente ocidental-capitalista.
Uma das consequências dessa homogeneização colonizante do mundo foi impor nos quatro cantos do globo a racialização enquanto elemento constitutivo do tecido social. Onde dominou, o poder colonial burguês impôs uma hierarquização de raças criando sistemas sociais totalmente novos ou se aproveitando de relações sociais locais já existentes. Essa criação do poder colonial burguês, completada ao final do século XIX na fase imperialista do capitalismo, embora tenha sofrido recuos fundamentais (com a vitória da Revolução Russa, da Revolução Chinesa, os processos de descolonização na África, a derrota sobre o nazifascismo, a derrota do imperialismo estadunidense na guerra do Vietnã etc.), ainda não foi destruída.
A modernidade colonial criou a racialização do mundo. Essa racialização, operando em dois níveis (nacional, em cada país, e geopolítico), continua se reproduzindo. Um exemplo básico de manifestação da racialização a nível geopolítico: violar a soberania nacional, bombardear e invadir um país árabe ou negro-africano é infinitamente mais fácil, em termos de repercussão e comoção na chamada “opinião pública” mundial, do que fazer o mesmo em um país da Europa Ocidental. Quem tiver dúvidas disso, recomendo muito assistir o documentário Filmes ruins, árabes malvados: como Hollywood vilificou um povo, disponível no YouTube.
Portanto, parecem muito deslocados, para dizer o mínimo, aqueles que pensam a política e a luta de classes fora da compreensão da dinâmica histórica de longo prazo que envolve os processos de desenvolvimento da modernidade, enraizados no colonialismo e na racialização. A pergunta correta, portanto, não é “quem é mais importante, a raça ou classe?”, mas, sim, qual é a dimensão histórico-concreta de racialização na formação e reprodução da classe trabalhadora brasileira a partir de suas particularidades regionais (importantíssimas em um país continental como o Brasil) e sua inserção na economia global.
Um dos principais desafios dos marxistas, hoje, no debate sobre a questão racial e na luta pela formação de um antirracismo revolucionário, é renegar essa pergunta errada e recolocá-la em seus termos corretos. Essa questão está longe de ser um tema abstrato de teoria. É a tarefa primordial da luta de classes no Brasil.
Para terminar, um aviso importante: a luta antirracista tem centralidade na Revolução Socialista no Brasil. Não é tema apenas para o mês de novembro!
LEITURA FUNDAMENTAL. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

PEP - PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO. VOCÊ SABE O QUE É PEP? E COMO ELA PODE AJUDAR A EVITAR O CONTÁGIO POR HIV?

A CAMISINHA ROMPEU, SAIU OU VOCÊ NÃO USOU. O QUE FAZER AGORA?

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A PEP É O USO DO MEDICAMENTO QUE PODE PROTEGER DA INFECÇÃO DO HIV DEPOIS DE UM EXPOSIÇÃO DE RISCO-SEXO SEM PRESERVATIVO, QUANDO O PRESERVATIVO  ROMPE, SAI OU EM CASO DE VIOLÊNCIA SEXUAL. 

A PEP DEVE SER INICIADA EM ATÉ 72 HORAS DEPOIS DA EXPOSIÇÃO. 

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A PEP NÃO SUBSTITUI A CAMISINHA!

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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

História da discriminação racial na educação brasileira - Silvio Almeid...

Vídeo da campanha do Governo da Bahia com tema ‘Racismo Mata Racismo é ...

�� Documentário - Consciência Negra

O Brasil é Racista?, por Spartakus Santiago | Philos

As faces do racismo estrutural no Brasil

Roda Viva | Yuval Harari | 11/11/2019



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Excelentes reflexões críticas para todos nós.


A Escravidão no Brasil ainda persiste

                                                         Segundo dados históricos, o Brasil foi o maior território escravista do hemisfério ocidental. Recebeu quase 5 milhões de escravizados africanos. Foi o que mais demorou a acabar com o tráfico negreiro, com a Lei Eusébio de Queirós em 1850. Último a acabar com a escravidão, com a Lei Áurea de 1888. A escravidão está presente na nossa realidade de hoje. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

NOVEMBRO, MÊS DE RESISTÊNCIA E SAÚDE. HOMEM QUE SE CUIDA NÃO PERDE O MELHOR DA VIDA.

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No Brasil, o mês de novembro é conhecido como o mês da Consciência Negra. Nele, o povo negro relembra Zumbi dos Palmares e todos aqueles que lutaram contra e resistiram ao genocídio do povo negro; no mundo, e aqui também, novembro também é considerado um mês emblemático para a saúde do homem devido a um conjunto de iniciativas que ficou conhecida como "Novembro Azul", ou seja, diferentes estratégias de conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce de doenças que atingem à população masculina, e aqui vale muito destacar a saúde da população negra e e suas doenças e agravos mais prevalentes, como a hipertensão arterial, tuberculose, mortes violentas, entre outras.
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Outra questão importante é a necessidade de considerar a grave e insistente questão do racismo no Brasil,  uma condição histórica, inclusive o institucional, o qual traz consigo a noção do preconceito e da discriminação contra negros, afetando de forma dupla as mulheres negras, igualmente vitimadas pelo preconceito de gênero, o que torna este segmento especialmente mais vulnerável. Além disso, situações de abuso, exploração e violência sexual, especialmente as que incluem o preconceito e a discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais têm crescido imensamente nos últimos anos.

Reconhecer a desigualdade étnico-racial na saúde da população é necessário. VIDAS NEGRAS IMPORTAM!
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sábado, 2 de novembro de 2019

Linn da Quebrada - Oração (Clipe Oficial)

COLDPLAY - DOIS SHOWS ESPECIAIS NA JORDÂNIA LANÇAM EVERYDAY LIFE



A banda acaba de anunciar que lançará seu novo álbum, Everyday Life, com duas apresentações exclusivas transmitidas ao vivo no YouTube pela Jordânia em 22 de novembro, o dia do lançamento do álbum.

Coldplay: Everyday Life - Live in Jordan acontecerá em Amã, na Jordânia, e reflete as duas metades do álbum duplo de 52 minutos: Sunrise and Sunset. O show do Sunrise começará às 04:00 GMT, com o show do Sunset às 14:00 GMT. Estas são as primeiras apresentações da banda na Jordânia.



quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Irlanda do Norte legaliza aborto e casamento homossexual.


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Uma alteração na legislação da Irlanda do Norte que descriminaliza o aborto e legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo entrou em vigor nesta 3ª feira (22.out.2019) no país, apesar dos esforços contrários de líderes da igreja e de deputados da assembleia regional norte-irlandesa.

Por conta do impasse político em Belfast - um escândalo político-financeiro que fez com que a Irlanda do Norte esteja sem Executivo local desde 2017. Devido a isto, o governo britânico restabeleceu no início de 2019 seus poderes de legislar sobre os temas cotidianos da Irlanda do Norte a partir de Londres, permitindo que parlamentares britânicos aprovassem em julho emendas para estender ao território o direito ao aborto e ao casamento homossexual se não fosse formado um novo governo até 21 de outubro. Como isso não aconteceu, as alterações legislativas entraram em vigor nas primeiras horas dessa 3ª feira.

A proposta da deputada trabalhista Stella Creasy para estender o acesso ao aborto –permitido no Reino Unido– à Irlanda do Norte foi aprovada por 383 votos contra 73. 



segunda-feira, 14 de outubro de 2019

�� Documentários - HIV: deu positivo

Billie Eilish - Lovely (with Khalid)

DUDA BEAT ao vivo @ Rock in Rio 2019





UMA MARAVILHA. 

MEN CAN GET BREAST CANCER, TOO.

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KNOWING THE SIGNS OF BREAST CANCER COULD SAVE YOUR LIFE.

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A profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP)

A profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) consiste na utilização de antirretrovirais por pessoas que não estão infectadas pelo HIV, mas que se encontram altamente vulneráveis ao vírus. Dentre outros fatores de vulnerabilidade, por exemplo, citam-se a frequência de relações sexuais desprotegidas e o número elevado de parceiros, que implicam aumento no risco de infecção. Nessas circunstâncias, dependendo das necessidades e dos contextos de cada indivíduo, a PrEP, combinada com outras estratégias de prevenção já consagradas, reduz ainda mais o risco de infecção. 

A implementação da PrEP no SUS vem ocorrendo de forma gradual em todo o país, para populações sob maior risco de infecção pelo HIV, a saber: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas trans e trabalhadores(as) do sexo. Além dessas populações, pessoas com parcerias sorodiferentes para o HIV também são consideradas elegíveis para uso da PrEP.



TODO MÊS É TEMPO DE FALAR DO CÂNCER DE MAMA. PREVINA-SE!

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