domingo, 17 de março de 2024

Dica de filme: American Fiction, Oscar de melhor roteiro adaptado em 2024.

De uma delicadeza ímpar no que tange às relações humanas, porém extremamente contundente no que se refere às relações étnico-raciais, inclusive intragrupo. Gostei muito. Vale a pena assistir ao filme com olhares bem atentos. 

sábado, 23 de dezembro de 2023

Boas Festas.

Que um Jesus negro traga muito Axé para a vida de cada pessoa. Saúde, claridade e livramento no ano de 2024. E muito Amor, por si e pelas pessoas. Um abraçaço e um beijo grande. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Primeiro de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS. Comunidades Liderando.



Em outubro de 1988, há 35 anos, a Assembleia Geral da ONU e a Organização Mundial de Saúde instituíram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a AIDS.  A fita vermelha é  o símbolo universal de conscientização, apoio e solidariedade com as pessoas que vivem com HIV e uma forte simbologia para que este grupo de pessoas se façam ouvidas sobre questões importantes sobre suas vidas. No Brasil, a data serviu também como inspiração para a criação da Campanha Dezembro Vermelho, instituída pela Lei federal n° 13.504, de 07 de novembro de 2017, que conscientiza a população sobre o que é o vírus, formas de prevenção e tratamento.

No dia de hoje, 30 de novembro, o Ministério da Saúde divulgou o boletim epidemiológico sobre HIV/aids de 2023. Os dados mostram que, nos últimos 10 anos, o Brasil registrou queda de 25,5% na mortalidade por AIDS, que passou de 5,5 para 4,1 mortes por 100 mil habitantes. Contudo, em 2022, o Rio Grande do Sul continua a ter a maior mortalidade em todo o país e, neste estado, a capital Porto Alegre também lidera com quase seis vezes o coeficiente nacional.

No ano passado, foram 10.994 mortes, 8,5% a menos do que as 12.019 mortes registradas em 2012. Do total, 61,7% foram entre pessoas negras (47% em pardos e 14,7% em pretos) e 35,6% entre brancos – portanto, a doença mata mais negros do que brancos. Ainda segundo o boletim, na análise da variável raça/cor, observou-se que, até 2013, a cor de pele branca representava a maior parte dos casos de infecção pelo HIV. Nos anos subsequentes, houve um aumento de casos notificados entre pretos e, principalmente, em pardos, representando mais da metade das ocorrências desde 2015.

Em relação ao início da epidemia, o Brasil avançou imensamente e segue fornecendo gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS),  tratamento precoce para os casos confirmados como  positivos, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Profilaxia Pós-Exposição para todos, todas e todes. 

O Ministério salienta que inequidades estão presentes em todos os indicadores, já que minorias e populações vulneráveis representam a maior parte das pessoas infectadas. Os dados indicam que algumas populações-chave apresentam maior prevalência do HIV. Mulheres trans e travestis representam cerca de 17% a 37% dos casos. Um dos maiores desafios da saúde pública é combater o estigma ao redor da doença.

De acordo com a UNAIDS, o mundo pode acabar com a AIDS, com as comunidades liderando o caminho. Essa é a mensagem do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS 2023.

Organizações da sociedade civil que vivem com, estão em risco de, ou são afetadas pelo HIV são a linha de frente do progresso na resposta ao HIV, porque comunidades conectam serviços de saúde pública com as pessoas, colocando-as no centro da resposta, constroem confiança, inovam, monitoram a implementação de políticas e serviços, e responsabilizam os setores provedores.



“Não acabar com a AIDS é mais caro do que acabar com ela.”

“Revogar leis que prejudicam, criar leis que capacitam.”

“Nada sobre nós sem nós.”


sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Sobre o mês da Consciência Negra. Pelo fim do genocídio antinegro! Vidas pretas importam!

Novembro chegou e, com ele, a possibilidade de refletirmos sobre as lutas dos povos pretos ao longo de todo um processo histórico no Brasil. Avanços têm ocorrido, mas, ao mesmo tempo, o genocídio contra nós continua em franca ação num Estado e numa sociedade eminentemente racistas. A branquitude ainda ocupa majoritariamente as estruturas e, por isso, elas ainda permanecem racistas. Privilégios brancos não querem ser perdidos.


Oprimidos por uma elite racista, os afrodescendentes brasileiros permanecem confinados nos níveis mais baixos da escala social. Em pleno ano de 2023, ainda estamos batalhando para conquistar nossos direitos de cidadãos plenos e, sobretudo, a consciência de nossa própria etnicidade. Se mantêm a barreira social, a exploração econômica e a privação dos direitos de se viver dignamente.

As religiôes afro-brasileiras de origem iorubá, fon e angolana fundidas no candomblé e na umbanda e suas muitas expressões regionais têm sofrido diversos ataques por alguns membros de igrejas neopentecostais, principalmente - o racismo religioso se ergue e se intensifica.

A tese da "democracia racial" de Gilberto Freyre, outrora doutrina oficial brasileira, e a crença de que a cor está nos olhos de quem a vê são falácias. O genocídio antinegro continua em ação. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública do ano de 2023, 83% dos mortos pela polícia são negros. No Rio de Janeiro, 48% das crianças e adolescentes baleados são atingidos em ação policial com sua maioria sendo negras. Parem de nos matar! A negligência do Estado persiste. É o extermínio em ação.


Práticas coloniais de poder têm se refletido na comtemporaneidade através da colonialidade. É preciso que nos encorajemos para seguirmos nas nossas lutas contra os racismos antinegro. Como a africabrasilidade repercute na vida de cada um de nós, pessoas pretas? É imperativo que acolhamos os nossos espíritos em comunidade para que alcancemos a emancipação. Como disse Angela Davis: "A liberdade é uma luta constante".

Precisamos olhar para os revoltosos do passado. Nunca fomos passivos em busca da liberdade. Insubmissões e insurreições houveram desde a captura dos nossos ancestrais. Retomar a História, resistir coletivamente e dispor de recursos políticos e materiais são necessários a dignidade na liberdade. Viva Zumbi! Vivam os levantes, as insurreições e as insubmissões! Vidas pretas importam!




terça-feira, 8 de agosto de 2023

O assassinato de crianças e adolescentes negros é um projeto político.

 

                                                         Foto de topo: Mídia Ninja

Hoje estava a pensar no assassinato de um menino negro de 13 anos na cidade do Rio após uma incursão da polícia militar na cidade de Deus. Com esta morte evitável, chega a 21 o número de menores de idade mortos em operações policiais no Rio de Janeiro durante o ano de 2023. Triste e lamentável. 

Quase 90% das crianças e adolescentes assassinados no Rio são negras ou pardas. De 2018 a 2020 cerca de 2.200 crianças e adolescentes perderam a vida pela ação de agentes públicos de segurança no país, sendo o Rio de Janeiro responsável por 13,1% dessas mortes. De acordo o Instituto de Segurança Pública (ISP),  no ano de 2020, 56 pessoas, entre 0 e 17 anos, foram mortas em confrontos diretos em todo o estado. Desse total, 87,5% das crianças ou adolescentes assassinadas eram negros ou pardos. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança, em 2019 o Rio de Janeiro teve 269 crianças e adolescentes mortos pela polícia, sendo responsável sozinho por 40% do total de casos no país. Dentre esses registros no estado, 86% das vítimas eram negras.



                                                  Foto: Rithyele Dantas

O assassinato de crianças e adolescentes negros é um projeto político historicamente implantado pelo Estado Brasileiro nos diferentes níveis desde a colonização. A necropolítica de origem estatal tem provocado o aumento no número de jovens negros mortos conforme o tempo, já que em 2009 era 71% e em 2019 esse número aumentou para 81%. 

                                         Fonte da imagem: www.acrítica.net

Algumas reflexões ficam a martelar na minha cabeça: Até quando a sociedade brasileira será seletiva? Esperança para quais crianças? Quais vidas importam neste país? Precisamos refletir, pessoas. Não existe um futuro digno no país com a negligência da infância e da adolescência. Meus sentimentos à família, aos amigos e amigas, à Humanidade. 

Cada criança, cada adolescente negro que se vai, é um pedaço de nós, Humanidade, que se vai também. Quem são os humanos para vocês? Que vidas são passíveis de serem vividas dignamente no Brasil? 

                                      Fonte da imagem: Jornal O DIA.